INFELIZMEN TE ESTÁS MAIS QUE ACERTADO ANTÓNIO BARATA, OXA LÁ NÃO ESTIVESSES COMPANHEIR O, ESTARIA O PAÍS E O MUNDO MELHOR, QUE TRISTEZA DE PAÍS, DE PESSOAS, DE POVO DE BRANDOS COSTUMES COM DEUS, PÁTRI A, AUTORIDA DE!
Sinal dos tempos
por António Barata
Domingo, 06 de Mayo de 2012 20:37
A recente criminalização de uma activista do Movimento dos Sem Trabalho, acusada
de estar a realizar uma manifestação não autorizada (na verdade encontrava-se
com outros companheiros a distribuir panfletos à porta de um centro de emprego)
é significativa.
A recente criminalização, com direito a passagem por tribunal, de uma
activista do Movimento dos Sem Trabalho, acusada de estar a realizar uma
manifestação não autorizada (na verdade encontrava-se com outros companheiros a
distribuir panfletos à porta de um centro de emprego) é significativa a vários
títulos. Primeiro, porque vem na continuação de uma nova forma de actuar das
“forças de segurança”, provocadora, brutal, intolerante e sem qualquer respeito
pela legalidade e as liberdades democráticas.
Com o governo da troika banalizou-se algo que já tinha começado a ser ensaiado pelos governos socialistas: a infiltração de agentes provocadores nas manifestações, nas reuniões dos “indignados” e de outros movimentos não enquadrados pelos sindicatos e partidos do regime; a inquirição pidesca dos promotores por manifestações e protestos, sejam eles sindicatos, partidos ou simples colectivos, sobre as suas motivações e o que pretendem fazer; a indiferença com que a comunicação social se refere ao uso da violência contra manifestantes e a naturalidade com que, à semelhança dos ministros e dos partidos que apoiam o governo, se faz porta-voz das polícias e continua a difundir as suas mentiras, mesmo quando estas são desmentidas pela generalidade dos que sofreram ou testemunharam as agressões e os tribunais dão como não provadas as versões da polícia. A este respeito foi esclarecedora a reacção da comunicação social à carga policial no Chiado: foram vários os manifestantes espancados e maltratados, mas a sua indignação circunscreveu-se aos dois jornalistas agredidos e centrou-se no mau profissionalismo da PSP e polícia de choque.
Em segundo, pela argumentação com que a porta-voz da PSP justificou a actuação prepotente da polícia. Agora já não estamos perante as habituais mentiras e “ajeitamento” de factos com que por norma se procura justificar os “deslizes”, o “excessos de zelo” ou a forte “motivação dos senhores guardas”. Agora o que vale é a arbitrariedade policiaca – segunda a porta-voz da PSP, as “forças da ordem” não tem que se justificar nem dar explicações, e duas pessoas já são uma manifestação (no tempo do Salazar eram preciso três).
Por último, a “distração” dos funcionários da CGTP que nunca se esquecem de agradecer aos “camaradas polícias” o seu trabalho na manutenção da ordem durante as manifestações, como voltou a acontecer no último 1º de Maio, ou a ingenuidade de muitos dos “indignados” que em patéticos discursos frente à Assembleia da República fazem questão de lembrar aos polícias de choque presentes que também eles são explorados e mal pagos e que deviam estar “do nossos lado”.
Este novo tipo de actuação policial é visível tanto nas greves gerais, nas manifestações dos indignados ou na repressão de pequenas acções e protestos realizados pelos que não são controlados pelos sindicatos ou os partidos do sistema, como nos discursos sobre os movimentos inorgânicos e o agudizar da crise social, a paranoia com a videovigilância, a necessidade de pagar melhor aos polícias (para os manter “motivados”) e aumentar os seus efectivos. A estimulação da prepotência policial tem um alvo muito preciso – os trabalhadores, os dois terços de portugueses pobres, forçados a viver com menos de 600 euros, os desempregados e os precários, os que não se conformam e se revoltam.
Com o governo da troika banalizou-se algo que já tinha começado a ser ensaiado pelos governos socialistas: a infiltração de agentes provocadores nas manifestações, nas reuniões dos “indignados” e de outros movimentos não enquadrados pelos sindicatos e partidos do regime; a inquirição pidesca dos promotores por manifestações e protestos, sejam eles sindicatos, partidos ou simples colectivos, sobre as suas motivações e o que pretendem fazer; a indiferença com que a comunicação social se refere ao uso da violência contra manifestantes e a naturalidade com que, à semelhança dos ministros e dos partidos que apoiam o governo, se faz porta-voz das polícias e continua a difundir as suas mentiras, mesmo quando estas são desmentidas pela generalidade dos que sofreram ou testemunharam as agressões e os tribunais dão como não provadas as versões da polícia. A este respeito foi esclarecedora a reacção da comunicação social à carga policial no Chiado: foram vários os manifestantes espancados e maltratados, mas a sua indignação circunscreveu-se aos dois jornalistas agredidos e centrou-se no mau profissionalismo da PSP e polícia de choque.
Em segundo, pela argumentação com que a porta-voz da PSP justificou a actuação prepotente da polícia. Agora já não estamos perante as habituais mentiras e “ajeitamento” de factos com que por norma se procura justificar os “deslizes”, o “excessos de zelo” ou a forte “motivação dos senhores guardas”. Agora o que vale é a arbitrariedade policiaca – segunda a porta-voz da PSP, as “forças da ordem” não tem que se justificar nem dar explicações, e duas pessoas já são uma manifestação (no tempo do Salazar eram preciso três).
Por último, a “distração” dos funcionários da CGTP que nunca se esquecem de agradecer aos “camaradas polícias” o seu trabalho na manutenção da ordem durante as manifestações, como voltou a acontecer no último 1º de Maio, ou a ingenuidade de muitos dos “indignados” que em patéticos discursos frente à Assembleia da República fazem questão de lembrar aos polícias de choque presentes que também eles são explorados e mal pagos e que deviam estar “do nossos lado”.
Este novo tipo de actuação policial é visível tanto nas greves gerais, nas manifestações dos indignados ou na repressão de pequenas acções e protestos realizados pelos que não são controlados pelos sindicatos ou os partidos do sistema, como nos discursos sobre os movimentos inorgânicos e o agudizar da crise social, a paranoia com a videovigilância, a necessidade de pagar melhor aos polícias (para os manter “motivados”) e aumentar os seus efectivos. A estimulação da prepotência policial tem um alvo muito preciso – os trabalhadores, os dois terços de portugueses pobres, forçados a viver com menos de 600 euros, os desempregados e os precários, os que não se conformam e se revoltam.

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