quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
A detenção de Sócrates
José
Sócrates nomeado para Prémio Nobel da Medicina (apesar de lhe faltarem duas
cadeiras para terminar este curso...), por conseguir erradicar o ébola e a
legionela da comunicação social.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Che Guevara - carta de despedida a seus pais
A seus pais:
Queridos viejos:
Uma vez mais sinto sob os calcanhares as costelas de Rocinante. Retorno para a estrada com
o escudo no braço. Nada de especial mudou, exceto que estou mais cônscio, meu marxismo está mais arraigado e mais cristalizado. Creio na luta armada como única solução para os povos que lutam para se libertarem e sou coerente com minhas crenças. Muitos me chamarão de aventureiro, e o sou, mas de um tipo diferente, sou daqueles que colocam a vida em jogo para demonstrar as suas verdades.
É possível que esta seja definitiva. Não estou buscando por ela, mas está dentro dos cálculos lógicos das probabilidades. Se tiver que ser, então este é o meu último abraço.
Amei-os muito, só que não soube mostrar o meu amor. Sou extremamente rígido em meus atos e creio que houve ocasiões em que vocês não me entenderam. Por outro lado, não era fácil entender-me (...).Agora, a força de vontade que aprimorei com o deleite de um artista levará para diante minhas pernas fracas e meus pulmões cansados. Vou conseguir
Lembrem-se de vez em quando deste pequeno condottiere do século XX (...).Para vocês, um abraço grande e apertado de um recalcitrante filho pródigo.
NOTA: foi escrita antes de partir para o Congo para ser entregue se morresse. A mãe morre de cancro quando ele estava em combate no Congo. Depois da derrota do Congo e vai lutar para a selva boliviana onde é ferido em combate, feito prisioneiro e assassinado.
A carta é então entregue ao pai
NOTA: foi escrita antes de partir para o Congo para ser entregue se morresse. A mãe morre de cancro quando ele estava em combate no Congo. Depois da derrota do Congo e vai lutar para a selva boliviana onde é ferido em combate, feito prisioneiro e assassinado.
A carta é então entregue ao pai
Che Guevara - Carta de despedida aos filhos
Aos filhos:
Queridos Hildita, Aleidita, Camilo, Célia e Ernesto:
Se alguma vez tiverem que ler esta carta, será porque eu não estarei mais entre voçês. Quase não se lembraram de mim e os mais pequenos não recordarão nada.O pai de voçês tem sido um homem que atua, e certamente, leal a suas convicções. Cresçam como bons revolucionários. Estudem bastante para poder dominar as técnicas que permitem dominar a natureza. Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário. Até sempre, meus filhos. Espero vê-los, ainda. Um beijão e um abraço do Papai.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
OS QUE LUTAM
OS QUE LUTAM
Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
Bertold Brecht
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Dia de triste memória
Faz hoje 39 anos que estava feliz e contente a ouvir o M Duran Clemente e eis que os fdp lhe tiraram o pio e puseram uma comédia américana dos anos 50.
Mau sinal......
Adeus 25 de Abril e revolução dos cravos, que não te soubemos perservar......
O 25 de novembro de 1975 está para o 25 de Abril o mesmo que o 28 de maio esteve para o 5 de Outubro
Os militares revolucionários foram detidos pelos militares reacionários, o famigerado jaime neves queria fuzilar tudo e todos que fossem das esquerdas, não fosse o bom senso de certos militares reacionários que eram contra os fuzilamentos
Com o apoio do PS, do PPD, agora PSD, do CDS, agora PP, a direita avançou, abriu as portas ao grande capital e aos fascistas, até convidou o marcelo caetano para regressar, só não veio porque não quis, ostralizou militares de Abril
Dia negro esse 25 de novembro, dia negro para mim e para o meu país, se é que ainda existe, se já não está todo vendido aos chineses e aos angolanos
Mas atenção corja:
Ainda somos muitos, muitos mil para continuar Abril
O nosso Zeca e a Grandola são ouvidos mais que nunca, são gritos por Liberdade
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
domingo, 16 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
terça-feira, 11 de novembro de 2014
memórias do meu 25 de Abril
AS MINHAS MEMÓRIAS DO 25 DE ABRIL
TESTEMUNHO
Tinha 17 anos e estava a estudar num colégio de freiras que amavam Salazar. Até aos 14 anos vivi num mundo protegido até que fui à missa do Padre Mário e soube que vivia numa mentira. Soube que a guerra colonial era injusta, que havia a PIDE e os Bufos, que o povo vivia ajoelhado e se dissesse não ao patrão era perseguido, preso e torturado. O ano de 1973 acabou mal para mim, o meu pai militar de carreira foi mobilizado para Moçambique. De lá escrevia-me lindos aerogramas onde contava histórias do seu piloto a quem chamavam de “capitão Maluco”. Veio o mês de Março e o desastre do levantamento das Caldas. Eu não entendi bem o sinal, mas no exílio Álvaro Cunhal abriu o olho e deu instruções: camaradas que vivem na zona de Lisboa se se aperceberem de movimentação militar fora do normal vão para a rua apoiar os militares para garantir que o golpe vira à esquerda. O 16 de Março foi o começo do fim do fascismo.
Nos anos 70 fartos da guerra colonial, da prisão e da tortura houve bastante agitação clandestina. Na Igreja do Rato o padre Alberto e um grupo de católicos progressistas foram presos pela PIDE. Na Igreja de Macieira da Lixa assinei o meu primeiro abaixo assinado. Vi amigos partirem para a guerra e regressarem com grandes traumas, inválidos e / ou dentro de uma caixa de pinho. Vi o Padre Mário ser preso duas vezes por pregar o Evangelho.
A mulher não tinha direitos, se fugisse ao marido que a mal tratasse perdia o direito aos filhos e se eles a quisessem de volta era lhes entregue como propriedade do marido. Não podia sair do país sem autorização do marido, não tinha direito a voto. O marido podia ver a correspondência da mulher mas era crime a mulher ver a do marido. Até no casamento Salazar metia o focinho: havia profissões femininas que as mulheres não podiam casar. Militares só podiam casar tenentes e com uma mulher com estudos e / ou dote. O mesmo para professoras em relação ao marido.
Voltando aos aerogramas do meu pai 1973/1974 ele dizia-me para não ter medo que tudo ia correr bem, que ia ver que seria tudo bom. Eu, inocentemente, pensava que o meu pai estava mais preocupado com os exames que eu (andava no antigo 7 ano).
As melhores recordações do colégio eram as aulas de organização política: a minha professora antifascista e amiga do Zeca Afonso nas aulas em vez da matéria levou um gira-discos e passávamos a aula deliciadas a ouvir o Zeca a cantar (canções proibidas). A Rádio Renascença não tinha nada a ver com a de hoje. À meia-noite na “Página Um” passava as canções proibidas (púnhamos um copo de água em cima do rádio para escondermos que estávamos a ouvir certas estações e encapávamos os livros do índex com a bandeira americana) e após o 25 de Abril, foi uma grande estação de rádio até que no 25 de novembro um cunhado de Eanes lhe deitou uma bomba.
Também o Jornal República, um grande jornal de resistência antifascista não aguentou a repressão após o 25 de novembro e perdeu-se um grande jornal.
Num lindo dia de primavera os professores e as alunas externas faltaram, fomos para uma sala de estudo e uma colega foi chamada à direção porque os pais foram buscá-la por ter sido expulsa, por causa de uma carta que uma amiga lhe escreveu e que só foi entregue nesse dia aos pais (as freiras liam as cartas, agora é crime mas antes do 25 de Abril tudo era permitido). A rapariga que era boa aluna nesse ano fez exame a todas as disciplinas do 7 ano e entrou em medicina Os pais da minha amiga trouxeram a notícia que havia um levantamento militar em Lisboa. (eles dizerem guerra, mas eu como filha de militar chamo-lhe levantamento). Foi giro de ver tanta freira alvoraçada. Deixaram sair as internas com os encarregados de educação ou credenciados por eles. Fizeram mil recomendações para não passarmos à beira do Quartel. Confesso que tive medo da dita guerra em Lisboa e que dei uma volta do caraças para não passar à beira do quartel. Quando cheguei a casa da minha avó liguei a TV e a primeira imagem que vi foram os olhos de Salgueiro Maia (aquele capitão que mais tarde soube que era o diretor da “Voz da Caserna” (uma sátira em BD à guerra colonial e que eu cheguei a ler à porta fechada) e cravos a sair das bocas das G3 e das chaimites. Me lembrei dos recados entrelinhas do meu pai e soube que ia ser bom. Foram dias de festa e de esperança, A liberdade andava por aí. Adorei ver os pides serem presos, mas foi sol de pouca dura.
No Porto, no dia 26 de Abril a festa foi grande, com a libertação dos presos políticos e com Virgínia Moura, saudando os antifascistas portuenses e agradecendo ao MFA, no Largo em frente à casa da tortura da ex-PIDE.
O 1.º de Maio livre foi algo colossal que não se consegue contar, só quem o viveu é que dá valor ao que viu, fez e sentiu. Ainda me recordo de ver um capitão de Abril, Luís Montreal, lançar cravos vermelhos para o povo de Lisboa, da boca de uma chaimite (alguém me cede uma fotografia?).
Fui passar férias a Moçambique, umas férias inesquecíveis. Fui ao primeiro comício da FRELIMO em Lourenço Marques, hoje Maputo, que o vivi intensamente. Moçambique, Terra que tenho no coração. Fui “fabricada” em Moçambique e vim nascer ao Porto em 25 de Setembro de 1956 (que passou a ser feriado em Moçambique, porque alguns anos mais tarde, num 25 de Setembro, a FRELIMO disparou o primeiro tiro pela liberdade).
Recordo-me de Vasco Gonçalves ir ao Porto é saudar o povo de uma varanda da Câmara.
Lembro-me do Otelo, o parta corações das raparigas. Que bem ficava de farda. Um galã. Lembro dos barbudos, penso que a imitar os da Sierra Maestra, naquele tempo homem revolucionário usava barba. Lembro das alegrias e também das loucuras do PREC, éramos tão jovens, tínhamos vivido tantos anos amordaçados e que numa madrugada, em que Lisboa acordou vestida de cravos, sentimos a Liberdade no ar, tínhamos sangue fresco nas guelras e apanhámos nos à solta e claro que cometemos alguns excessos, próprios da juventude.
A Grândola, o hino do MFA, o grito do povo que se agigantou: Vitória, Vitória, o Zeca, Ari dos Santos deram-me momentos de felicidade. Éramos invencíveis, ninguém nos podia roubar a Liberdade e o sonho, relaxamos as defesas e o fascista estava à espreita e o sonho acabou quando o mês de novembro se vingou.
Os meus cantores preferidos Zeca Afonso, Adriano, José Mário Branco entre outros deixaram de ser cantores proibidos e passaram a ser cantores de Abril. O nosso Zeca foi a meu ver quem melhor cantou Abril. Querido Zeca que deixaste um grande vazio, mas também um sobrinho João Afonso que é o teu retrato e que tem o teu estilo.
Mas o mais emotivo foi a libertação dos presos políticos em 26 de Abril. Ainda me encanta recordar aqueles abraços emocionantes e da chegada dos exilados a 30 de Abril, mesmo a tempo do primeiro 1 de Maio livre.
A nacionalização da banca, a reforma agrária, a alfabetação no Alentejo, a simpatia dos jovens capitães de Abril de esquerda, alguns eram uns gatos, as comunas, mas tudo isso novembro levou.
A jovem e inexperiente revolução tremeu, tremeu.... Depois de alguns ameaços tombou em novembro,.
À já me esquecia de falar no programa do MFA que ficou conhecido pelo programa dos 3 D:
Democratizar
Desenvolver
Descolonizar
Recordo o nome de alguns militares do MFA também conhecido como Movimento dos capitães:
- no comando das forças revoltosas e do COPCON, Major Otelo Saraiva de Carvalho , também fazia parte do Conselho da Revolução (durante o PREC foi o Homem forte)
- comandante no terreno mais visível: no Largo do Carmo - capitão Salgueiro Maia que após a vitória pediu o regresso ao quartel. O meu pai também pediu o regresso ao quartel, Vasco Gonçalves, Denis de Almeida, Duran Clemente (que tombou prisioneiro no 25 de novembro em direto, para grande tristeza minha) Luís Montreal (um dos militares que tomou o aeroporto de Lisboa, operação "Nova Iorque", e, depois foi para o Largo do Carmo reforçar os Homens de Salgueiro Maia e que foi o último a se render em novembro) , Ernesto Melo Antunes (mais tarde do Conselho dos Nove), Vasco Lourenço, Ramalho Eanes, Jaime Neves (estes 3 os coveiros de Abril) , meu pai comandante do MFA em Moçambique, Vítor Crespo que foi substituir o meu pai em Moçambique, Gavião, Rosa Coutinho, Paulinho Faria (a quem perdi o rastro) , Mário Tomé, Firmino Miguel, Varela da Silva, que estava em Moçambique e que nos foi buscar ao aeroporto, na Beira, com quem ficamos até termos ligação no dia seguinte para Lourenço Marques, onde estava o meu pai, os coronéis Pina e Barroso, que depois foram ministro e secretário de Estado, respectivamente, das Obras Públicas e que em 1977 me arranjaram o meu 1.º emprego, entre outros.
Do Conselho da Revolução general Spínola, que foi chamado por exigência de Marcelo Caetano que só se rendia ao Spínola (respeitado pelos militares, tinha a alcunha de “centurião romano” e tinha escrito o livro "Portugal e o Futuro", livro proibido mais lido pelos militares, foi quem primeiro quis acabar com Abril), Costa Gomes, Eurico Corvacho comandante do COPCON da Região Norte e claro o Otelo (haviam mais mas estes eram os principais comandantes)
Houve muitos mais que a minha memória apagou, talvez porque não mexeram comigo (por bem ou por mal).
TESTEMUNHO
Tinha 17 anos e estava a estudar num colégio de freiras que amavam Salazar. Até aos 14 anos vivi num mundo protegido até que fui à missa do Padre Mário e soube que vivia numa mentira. Soube que a guerra colonial era injusta, que havia a PIDE e os Bufos, que o povo vivia ajoelhado e se dissesse não ao patrão era perseguido, preso e torturado. O ano de 1973 acabou mal para mim, o meu pai militar de carreira foi mobilizado para Moçambique. De lá escrevia-me lindos aerogramas onde contava histórias do seu piloto a quem chamavam de “capitão Maluco”. Veio o mês de Março e o desastre do levantamento das Caldas. Eu não entendi bem o sinal, mas no exílio Álvaro Cunhal abriu o olho e deu instruções: camaradas que vivem na zona de Lisboa se se aperceberem de movimentação militar fora do normal vão para a rua apoiar os militares para garantir que o golpe vira à esquerda. O 16 de Março foi o começo do fim do fascismo.
Nos anos 70 fartos da guerra colonial, da prisão e da tortura houve bastante agitação clandestina. Na Igreja do Rato o padre Alberto e um grupo de católicos progressistas foram presos pela PIDE. Na Igreja de Macieira da Lixa assinei o meu primeiro abaixo assinado. Vi amigos partirem para a guerra e regressarem com grandes traumas, inválidos e / ou dentro de uma caixa de pinho. Vi o Padre Mário ser preso duas vezes por pregar o Evangelho.
A mulher não tinha direitos, se fugisse ao marido que a mal tratasse perdia o direito aos filhos e se eles a quisessem de volta era lhes entregue como propriedade do marido. Não podia sair do país sem autorização do marido, não tinha direito a voto. O marido podia ver a correspondência da mulher mas era crime a mulher ver a do marido. Até no casamento Salazar metia o focinho: havia profissões femininas que as mulheres não podiam casar. Militares só podiam casar tenentes e com uma mulher com estudos e / ou dote. O mesmo para professoras em relação ao marido.
Voltando aos aerogramas do meu pai 1973/1974 ele dizia-me para não ter medo que tudo ia correr bem, que ia ver que seria tudo bom. Eu, inocentemente, pensava que o meu pai estava mais preocupado com os exames que eu (andava no antigo 7 ano).
As melhores recordações do colégio eram as aulas de organização política: a minha professora antifascista e amiga do Zeca Afonso nas aulas em vez da matéria levou um gira-discos e passávamos a aula deliciadas a ouvir o Zeca a cantar (canções proibidas). A Rádio Renascença não tinha nada a ver com a de hoje. À meia-noite na “Página Um” passava as canções proibidas (púnhamos um copo de água em cima do rádio para escondermos que estávamos a ouvir certas estações e encapávamos os livros do índex com a bandeira americana) e após o 25 de Abril, foi uma grande estação de rádio até que no 25 de novembro um cunhado de Eanes lhe deitou uma bomba.
Também o Jornal República, um grande jornal de resistência antifascista não aguentou a repressão após o 25 de novembro e perdeu-se um grande jornal.
Num lindo dia de primavera os professores e as alunas externas faltaram, fomos para uma sala de estudo e uma colega foi chamada à direção porque os pais foram buscá-la por ter sido expulsa, por causa de uma carta que uma amiga lhe escreveu e que só foi entregue nesse dia aos pais (as freiras liam as cartas, agora é crime mas antes do 25 de Abril tudo era permitido). A rapariga que era boa aluna nesse ano fez exame a todas as disciplinas do 7 ano e entrou em medicina Os pais da minha amiga trouxeram a notícia que havia um levantamento militar em Lisboa. (eles dizerem guerra, mas eu como filha de militar chamo-lhe levantamento). Foi giro de ver tanta freira alvoraçada. Deixaram sair as internas com os encarregados de educação ou credenciados por eles. Fizeram mil recomendações para não passarmos à beira do Quartel. Confesso que tive medo da dita guerra em Lisboa e que dei uma volta do caraças para não passar à beira do quartel. Quando cheguei a casa da minha avó liguei a TV e a primeira imagem que vi foram os olhos de Salgueiro Maia (aquele capitão que mais tarde soube que era o diretor da “Voz da Caserna” (uma sátira em BD à guerra colonial e que eu cheguei a ler à porta fechada) e cravos a sair das bocas das G3 e das chaimites. Me lembrei dos recados entrelinhas do meu pai e soube que ia ser bom. Foram dias de festa e de esperança, A liberdade andava por aí. Adorei ver os pides serem presos, mas foi sol de pouca dura.
No Porto, no dia 26 de Abril a festa foi grande, com a libertação dos presos políticos e com Virgínia Moura, saudando os antifascistas portuenses e agradecendo ao MFA, no Largo em frente à casa da tortura da ex-PIDE.
O 1.º de Maio livre foi algo colossal que não se consegue contar, só quem o viveu é que dá valor ao que viu, fez e sentiu. Ainda me recordo de ver um capitão de Abril, Luís Montreal, lançar cravos vermelhos para o povo de Lisboa, da boca de uma chaimite (alguém me cede uma fotografia?).
Fui passar férias a Moçambique, umas férias inesquecíveis. Fui ao primeiro comício da FRELIMO em Lourenço Marques, hoje Maputo, que o vivi intensamente. Moçambique, Terra que tenho no coração. Fui “fabricada” em Moçambique e vim nascer ao Porto em 25 de Setembro de 1956 (que passou a ser feriado em Moçambique, porque alguns anos mais tarde, num 25 de Setembro, a FRELIMO disparou o primeiro tiro pela liberdade).
Recordo-me de Vasco Gonçalves ir ao Porto é saudar o povo de uma varanda da Câmara.
Lembro-me do Otelo, o parta corações das raparigas. Que bem ficava de farda. Um galã. Lembro dos barbudos, penso que a imitar os da Sierra Maestra, naquele tempo homem revolucionário usava barba. Lembro das alegrias e também das loucuras do PREC, éramos tão jovens, tínhamos vivido tantos anos amordaçados e que numa madrugada, em que Lisboa acordou vestida de cravos, sentimos a Liberdade no ar, tínhamos sangue fresco nas guelras e apanhámos nos à solta e claro que cometemos alguns excessos, próprios da juventude.
A Grândola, o hino do MFA, o grito do povo que se agigantou: Vitória, Vitória, o Zeca, Ari dos Santos deram-me momentos de felicidade. Éramos invencíveis, ninguém nos podia roubar a Liberdade e o sonho, relaxamos as defesas e o fascista estava à espreita e o sonho acabou quando o mês de novembro se vingou.
Os meus cantores preferidos Zeca Afonso, Adriano, José Mário Branco entre outros deixaram de ser cantores proibidos e passaram a ser cantores de Abril. O nosso Zeca foi a meu ver quem melhor cantou Abril. Querido Zeca que deixaste um grande vazio, mas também um sobrinho João Afonso que é o teu retrato e que tem o teu estilo.
Mas o mais emotivo foi a libertação dos presos políticos em 26 de Abril. Ainda me encanta recordar aqueles abraços emocionantes e da chegada dos exilados a 30 de Abril, mesmo a tempo do primeiro 1 de Maio livre.
A nacionalização da banca, a reforma agrária, a alfabetação no Alentejo, a simpatia dos jovens capitães de Abril de esquerda, alguns eram uns gatos, as comunas, mas tudo isso novembro levou.
A jovem e inexperiente revolução tremeu, tremeu.... Depois de alguns ameaços tombou em novembro,.
À já me esquecia de falar no programa do MFA que ficou conhecido pelo programa dos 3 D:
Democratizar
Desenvolver
Descolonizar
Recordo o nome de alguns militares do MFA também conhecido como Movimento dos capitães:
- no comando das forças revoltosas e do COPCON, Major Otelo Saraiva de Carvalho , também fazia parte do Conselho da Revolução (durante o PREC foi o Homem forte)
- comandante no terreno mais visível: no Largo do Carmo - capitão Salgueiro Maia que após a vitória pediu o regresso ao quartel. O meu pai também pediu o regresso ao quartel, Vasco Gonçalves, Denis de Almeida, Duran Clemente (que tombou prisioneiro no 25 de novembro em direto, para grande tristeza minha) Luís Montreal (um dos militares que tomou o aeroporto de Lisboa, operação "Nova Iorque", e, depois foi para o Largo do Carmo reforçar os Homens de Salgueiro Maia e que foi o último a se render em novembro) , Ernesto Melo Antunes (mais tarde do Conselho dos Nove), Vasco Lourenço, Ramalho Eanes, Jaime Neves (estes 3 os coveiros de Abril) , meu pai comandante do MFA em Moçambique, Vítor Crespo que foi substituir o meu pai em Moçambique, Gavião, Rosa Coutinho, Paulinho Faria (a quem perdi o rastro) , Mário Tomé, Firmino Miguel, Varela da Silva, que estava em Moçambique e que nos foi buscar ao aeroporto, na Beira, com quem ficamos até termos ligação no dia seguinte para Lourenço Marques, onde estava o meu pai, os coronéis Pina e Barroso, que depois foram ministro e secretário de Estado, respectivamente, das Obras Públicas e que em 1977 me arranjaram o meu 1.º emprego, entre outros.
Do Conselho da Revolução general Spínola, que foi chamado por exigência de Marcelo Caetano que só se rendia ao Spínola (respeitado pelos militares, tinha a alcunha de “centurião romano” e tinha escrito o livro "Portugal e o Futuro", livro proibido mais lido pelos militares, foi quem primeiro quis acabar com Abril), Costa Gomes, Eurico Corvacho comandante do COPCON da Região Norte e claro o Otelo (haviam mais mas estes eram os principais comandantes)
Houve muitos mais que a minha memória apagou, talvez porque não mexeram comigo (por bem ou por mal).
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
domingo, 9 de novembro de 2014
sábado, 8 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
CORTA CORTA - MATA MATA
Notícia de última hora
Adivinhem lá quem os islâmico vão cortar a cabeça
O cobarde até ficou sem cor............
O condenado fez questão de se vestir com as cores do PSD
Adivinhem lá quem os islâmico vão cortar a cabeça
O cobarde até ficou sem cor............
O condenado fez questão de se vestir com as cores do PSD
Decifrado o significado obscuro do nome do PM
ONDE SE LÊ E DE ESTÚPIDO TAMBÉM SE PODE LER E DE ESCROPE
PENA NO NOME NÃO TER F DE FASCISTA E N DE NAZI
Avante clandestino -novembro-1967-a-morte-de-Guevara
A morte do herói imortal, do ícone da revolução, não teve direito a ser notícia de primeira página
Na pequena homenagem focam as divergências com o Che, pois ele estava em rota de colisão com a URSS e restantes países da Europa de Leste
Avante clandestino -novembro-1967-a-morte-de-guevara
E foi assim que Portugal fascista começou a conhecer o GRANDE CHE
Che: os últimos dias de um herói (HQ)
Che:osultimos dias de um heroi
Biografia do Che em BD
Biografia do Che em BD
Apareceu 3 meses após os assassinato do Che - na Argentina
Oesterheld desapareceu durante a ditadura militar na Argentina
Apareceu 3 meses após os assassinato do Che - na Argentina
Oesterheld desapareceu durante a ditadura militar na Argentina
Confesso que vivi - Pablo Neruda
Confesso que vivi - Pablo Neruda
Pablo Neruda confessou que viveu, mas isso não era segredo para ninguém que a vida dele e a sua obra não passaram despercebidas pela humanidade
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Manifestação em Lisboa - dia 31-10-2014
Vídeo amador filmado, por mim, na Manifestação de 31-10-2014
Em frente à AR com uma canção do nosso Zeca e o coelho esfolado e dependurado (só tive pena que houvesse engano no coelho - fui sacrificado um inocente em vez do vilão)
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
sábado, 1 de novembro de 2014
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