quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Che Guevara - carta de despedida a seus pais

A seus pais:
Queridos viejos:
Uma vez mais sinto sob os calcanhares as costelas de Rocinante. Retorno para a estrada com o escudo no braço. Nada de especial mudou, exceto que estou mais cônscio, meu marxismo está mais arraigado e mais cristalizado. Creio na luta armada como única solução para os povos que lutam para se libertarem e sou coerente com minhas crenças. Muitos me chamarão de aventureiro, e o sou, mas de um tipo diferente, sou daqueles que colocam a vida em jogo para demonstrar as suas verdades.
É possível que esta seja definitiva. Não estou buscando por ela, mas está dentro dos cálculos lógicos das probabilidades. Se tiver que ser, então este é o meu último abraço.
Amei-os muito, só que não soube mostrar o meu amor. Sou extremamente rígido em meus atos e creio que houve ocasiões em que vocês não me entenderam. Por outro lado, não era fácil entender-me (...).Agora, a força de vontade que aprimorei com o deleite de um artista levará para diante minhas pernas fracas e meus pulmões cansados. Vou conseguir
Lembrem-se de vez em quando deste pequeno condottiere do século XX (...).Para vocês, um abraço grande e apertado de um recalcitrante filho pródigo.

NOTA: foi escrita antes de partir para o Congo para ser entregue se morresse. A mãe morre de cancro quando ele estava em combate no Congo. Depois da derrota do Congo e vai lutar para a selva boliviana onde é ferido em combate, feito prisioneiro e assassinado.
A carta é então entregue ao pai

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